Algo deu errado dentro do meu exoesqueleto anímico.
Como um apêndice mal escrito,
sem propósito...
Ou uma apendicite não superada, supurada.
Sou, na estrada da vida, uma raposa bela atropelada.
Estou ficando velho e assertivo;
velho e anciloso;
velho e mais cativo
e chatoso, cheiroso, chicoso, choroso, chuvoso.
Ontem, coisa inédita!, sonhei que fiz um exorcismo:
Proferi palavras doces e fortes
contra o demônio
que a dominava;
(Enquanto seu pai fugia num táxi sem passageiros.)
Ah, pra quê esses sonhos tão derradeiros?
Se na juventude era mais rápido escalar escadas,
agora os elevadores são bem mais ligeiros.
Só que algo se lascou nesse meu recipiente paradeiro.
Não sei a roça que como,
mas como formiga que sou
desci pelos túneis do meu formigueiro...