09/02/2012

Espelho I

Viajo em desenhos técnicos
E em filosofias quânticas.
Pensava eu, que deveria medir meus atos e descasos
Com uma precisão milionésima.
Gosto de astronomia e de futebol,
E sempre achei mais fácil bater em gol
Do que em meus amigos.
Queria entender mais de matemática
E menos de poesia,
Talvez assim tivesse algum dinheiro e fosse mais amado.
Quanto à música...?
Ah, essa seria como deve,
Sem dever nada a ninguém.

Espelho II

Viajo em desenhos abstratos
E em física mecânica.
Pensava eu, que deveria medir meus passos e tratados
Com uma precisão milimétrica.
Gosto de gastronomia e de kung fu,
E sempre achei mais fácil bater num saco
Do que em meus problemas.
Queria entender mais de metafísica
E menos de ser besta,
Talvez assim tivesse algum conceito e fosse mais ligado.
Quanto à música...?
Ah, essa seria como pode,
Sem poder nada a ninguém.

...

30/01/2012

É irritante quando criamos algum sentimento angustiante
de ojeriza em torno de um ambiente específico.

Principalmente quando sabemos
e cremos que antes, ali, adorávamos habitar.

Sei que é suportável a sensação de embrulho estomacal,
mas sei também que é mais saudável não tê-la consigo.

O pior de tudo, numa intriga como esta,
não é ficar de mal do lugar,
é que nunca se sabe bem como fazer as pazes.

06/01/2012

A poesia morre e fede!
Então feda:
Maria...

Maria fede e não morre...
Então morra:
Poesia!

A poesia fede e morre...
Então morro:
Maria!

Maria morre e não fede!
Então fêdo:
Poesia...

07/10/2011

Nem não sempre se percebe,
Como as coisas se dão
Ou o que se dá nas pessoas!

É difícil viver sob o signo das coisas e diante das normas dos homens...

Quase nunca sempre percebo,
Que as coisas me dão
Algo de todas as pessoas!

É mais fácil lidar com as coisas do que com as instituições humanas...

Há homens que falam de coisas.
E há coisas que falam de gente.

As coisas falam de coisas...?
As pessoas falam da gente...?

A gente imagina as coisas ou as coisas imaginam agentes?!?

27/09/2011

(Para Dodô e todos aqueles que sabem o que é perder um ente querido.)

Novo poema

Nova página em nossas tripas
Todo verso é um parto das vísceras
É fácil escrever e expor os órgãos dos outros
Mas quando os tecidos são egóicos
Fica difícil desvencilhar

Belo estratagema
Outras penas em nossas línguas
Em todos os corpos têm uma íngua
É ruim espremer as glândulas dos mortos
E se esses cadáveres são estóicos
Bem mais fácil revelar

Feito cinema
Pouco acontece em nossas vidas
Vivemos os encontros e há despedidas
Ficções na entrada e documentários na saída
(sem focus...)

Sendo amáveis ou heróicos
É bacana de narrar

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