3 de set de 2017



Uma estrela explodiu naquela face,
Salpicando de cobre aquela derme,
Prateando alguns fios no fim da tarde;
Entre as maçãs e a narina, as efélides.

Ou seria cromossômica mutação?
Sendo o quarto cromossomo alterado,
Ajuntando melanina nesse estado,
Dando as células essa pigmentação?

Bem, prefiro a primeira teoria...
Que de estrela se clareia a cor do dia
E tua luz faz das estrelas castiçais.

Fecho a cortina pra tirar uma soneca,
Que meu gene e minha estrela é ser poeta,
Sendo à noite nossos corpos brilham mais.

30 de ago de 2017



A evolução teoriza

Diversas formas de amar

Em todo sexo se abriga

A velha norma - cruzar



Ama-se o que se consegue

Entre os corpos sem saber

Multiplicar em nossa pele

As tatuagens do viver



Sem sonhar nada funciona

Nem se cria ou se transforma

Só sonhando a gente cruza

E se cruzando a gente goza

5 de jul de 2017



 I - Carne n'alma

Um terço da carne
Um quarto do corpo
O músculo estriado
Contrai-se de novo

Traído em parte
Pertence ao conjunto
Dos que sem maldade
Contêm todo o mundo

E o que está contido
N’alma não mente
É um conjunto vazio
Duvidar do que sente

II - Trem fecundo

Toda trilha caminha
De janeiro a janeiro
Os pés rezam na linha
E o chão pisa ligeiro

Todo trilho é refém
Do que por cima lhe passa
O trilho é feito pro trem
O riso efeito da graça

Tudo que trilhe afeto
Neste planeta miúdo
É como da terra um feto
Brota do ventre fecundo

3 de mai de 2017



Nunca fiz nada por intenção...
Tudo o que faço, se o faço, é puro tédio.
Nem faço nada perfeito, direito, completo;
No mais que faça, se eu faça, é pura farsa.

Nunca faço nada por inteiro...
A completude é minha impossibilidade.
Não fiz coisa alguma concreta, acabada, concluída;
Voltar à vida é vir-a-ser uma novidade.

Assim é a terra, desconstruída e desprometida, parente meu!
Finalizar é utopia que nunca sara e que sempre ardeu!

25 de abr de 2017



Fiz um não mourão voltado
Da sala do vão do quarto
Sentado no chão com a mala
Escuto o óleo a fritar
O cheiro dali exala
Minha boca baba e cala
Tempera moscas no ar
No agir e no sofisma
Dessa vida decidida
A viver de causa nobre
Não levanto e não me move
Tenho medo e tenho sono
De poeta e de sonso
E de tudo que comove
Quando antes dei por mim
Duvidei que fosse eu
Vi estrelas em meus dedos
Todo encanto dos brinquedos
Guardei tudo sem segredos
Que pensei que era remédio
Pras agruras do meu tédio
Dei carreira e fiz golaço
Era ferro ou era aço
A puxada de uma perna
Fez da tarde uma guerra
E eu filósofo menino
Faço a barba e tiro o cinto
Pra melhor dormir deitado
Isso é não mourão voltado
Isso é não volta mourão.