10 de fev de 2017

É pau

É pedra

E o Devir
É o caminho!

30 de jan de 2017



O pecado não nos envelhece,
Mas o corpo já envelheceu.

Corpo e pecado
Estão em estado
De conurbação.
O corpo é conturbado
Pelo conúbio
Da civilização.

O corpo não nos envelhece,
Mas o pecado se envelheceu.

O corpo é nossa
Última matéria
De ocupação.
O pecado é ideia
Que transgride
A ideia de conspiração.

Existe um fluxo pendular,
Sem hora certa,
Nenhum lugar,
Entre teu corpo e meu pecado colposcópico,
Que faz de toda essa cidade um dormitório;
E gasto todo meu pecúlio em tua pecha,
Que não me fecha
Só porque sou
Teu compulsório.

29 de dez de 2016

Para Axel, In Memoriam
Insultos são escravos

Insinceros escarros

Vão todos como vultos

Numa branda deslealdade.


Amigos tão perversos

Comem pouco desses versos

E aquecem os tumultos

Só no meio e na metade.


Às vezes nem basta pranto

Nem faz sequer recanto

Velha, tu que és sincera.


Sincero seria o canto

Cantando meu desencanto

Velha é a minha guerra.

17 de nov de 2016


Perdi tantas sandálias na infância
Quanto amores na puberdade.
Perdi brinquedos e bicicletas,
Amigos e automóveis.

(Mas continuo andando,
Não perdi as pernas,
Ainda bem.)

Perdi livros dados
E emprestados.
Livros que já li e nunca lidos,
E discos e discotecas inteiras.

Perdi a cabeça, o coração, o fígado.
Perdi sangue na seringa da vida.

Perdi um pai.
Perdi uma mãe.
Mas não perdi minha mãe,
Essa eu não perdi.

Perdi telefones:
Números e mais números perdidos.
Perdi agendas:
Tantos compromissos perdidos.

Tem gente que passa a vida só se achando
E sempre se acha de tudo.
Mas eu perdi.

Perdi empregos que nunca tive
E sonhos que se tornaram verdadeiros.
Perdi teorias infalíveis
E “receitas mágicas de amor”.

Perdi a carteira,
A identidade,
O cartão de crédito,
E a vontade de voltar pra casa no último ônibus da madrugada.

(Mas vou andando,
Ainda não perdi as pernas,
Tenho dito.)

Perdi beijos por perder o “time”.
Perdi risos por perder a piada.
Perdi canções por perder a melodia.
Perdi rimas e perdi poesias.

Perdi Tempo,
Essa ilusão completamente real.

Haverá quem sempre se ache.
Eu até já jurei me achar.

Mas eu me perdi.

1 de nov de 2016


O som dos veículos na avenida ali da frente,
Veiculados em minha pele e minha mente,
Dá-me sopapos de meio-dia ao cochilar;
E o pio dos pássaros, neste momento, vem me calar.

A cor do vinho que cai em mim, tão de repente,
E o seu aroma que me fez ler tanta gente,
É tão tal coisa dos sabores olvidar;
Que em minha língua se dissolvem papilar.

O cheiro terno da buceta em minha cara,
Um paletó executivo tão bem quisto,
Na tensão pós-menstrual do fim do mês.

Não tenho carro, só tenho vinho e minha vara
Que me amarram como sendo o Benedito
Pré-requisito para viver meu ex-burguês.