domingo, 25 de outubro de 2009

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Nem isso me obriga
Nem nada me permite
Que eu sempre sexo faça
Ou que a frialdade visite

Sendo um cachorro promíscuo
Sendo leal como um cão
É-me sério ser omisso
Faz-me rir a gratidão

Mas não digo ser ingrato
Nem vizinho da má fé
Dos opostos o contrário
Sou sincero a quem me é

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Motor de Puta

Para Christiane Quaresma

Belezas de brancura firme
Curvas de circular sedução
Sexo de orgasmo farto
Fisiologia hormonal de caminhão

Pênis e vulva bem juntos
Máquina lubrificada a mão
Entrelaçados, como se faz ao junco,
Seguindo o ritmo da respiração

Com os corpos de suor untados
Fizemos tudo, até sentados
Brindamos à perversão sadia

Unindo as línguas em nossas bocas
Meu pau cospe em tuas coxas
E te transformas em minha vadia

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Pequena Consideração Sobre a Vida

para Schopenhauer
O desejo, sim, é infinito.
Ele não cessa de vez.
Estanca! Mas pega de novo.
Para! Mas volta a rodar.
Still, but return to play.
O desejo é ilusão que nunca acaba…
Game over? Ever and never finish!

TEUS ÚLTIMOS VERSOS

Não tenho saúde emocional pra conversar contigo ultimamente!
Bem sabes por quê...
Não consigo concatenar minhas “geniais” idéias;
Não consigo dormir direito nem esquerdo;
Não consigo ler Nietzsche como quando tentava ler;
Não consigo atender (teus-meus) telefonemas;
Só tenho ouvido algumas músicas de um velho amigo olindense.
E às vezes sinto vontade de chorar no vazio.
Mas não tenho raiva,
Não tenho medo,
Não tenho nenhum...
Tenho um frio e uma sede que penso que nunca vão passar.
(Pra quem sempre mereceu uma poesia de qualidade,
Pelo menos conseguiu uma sincera.)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A Mulher que Amei

A mulher que eu amava
Se revelou ser a mulher que eu temia que fosse
Desses tipos de mulheres que todos os homens conhecem bem
Conhecem porque já estiveram com uma — Já tocaram realmente
(se não na mesma cama, no mesmo ambiente)

A mulher que eu amava
Revelou-me desejos que me cortaram os tímpanos
Estes tipos de segredos que sabemos mas não queremos ouvir
Sabemos porque já fizemos igual — Já idiotizamos suficiente
(se não em outra cama, em outro ambiente)

sábado, 11 de julho de 2009

INCRUSTRADO

Não consigo me concentrar em nada:
Feito suco.
Nem em coisa alguma:
Feito água.
Meu plug não encontra tomada!
Arrumo o quarto a sala e a cozinha,
Tiro cabelos do ralo,
Tiro a gordura da pia.
Mas os ralos de minha ciência estão perdidos.
Mas o encanamento de minha vida continua entupido.
É como se eu vivesse num limbo:
Meio-sonho-meio-pesadelo-meio-sonho de novo...
Um pouco de tédio;
As tais obrigações,
(que são bem poucas no momento).
Alguma felicidade entorpecida:
Meio-êxtase-meio-arrependimento!
E o cabelo no ralo...
E a gordura na pia,
É a mesma em minhas ventas e em minhas goelas.
Não cheiro nem engulo mais nada (só o óbvio).
Já me disseram que estou sendo desperdiçado,
Depois disso,
Comecei a me sentir um desperdício.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Tema (traído por um poema)

Ah, em mim, a morte bateu sem pena
Não sou santo nem serei santificado
Em meu peito o amor está crucificado
Agora sei o que é ser traído por um poema

Antes fosse traído por um tema
Que de temas eu me livro muito rápido
Mas um poema, para o poeta, é um rapto
E a alma sonha em livrar-se e ele teima

Minha dor carregarei até esvair-se
A traição não é pior do que trair-se
E a velha morte, tarda, atrasa, mas não falha

A traição não será mais o meu tema
E fatalmente choverá outro poema
De águas lindas e de biqueiras em minha calha