18 de jan. de 2026

 

Algo deu errado dentro do meu exoesqueleto anímico.

Como um apêndice mal escrito,

sem propósito...

Ou uma apendicite não superada, supurada.


Sou, na estrada da vida, uma raposa bela atropelada.


Estou ficando velho e assertivo;

velho e anciloso;

velho e mais cativo

e chatoso, cheiroso, chicoso, choroso, chuvoso.


Ontem, coisa inédita!, sonhei que fiz um exorcismo:

Proferi palavras doces e fortes

contra o demônio

que a dominava;

(Enquanto seu pai fugia num táxi sem passageiros.)


Ah, pra quê esses sonhos tão derradeiros?


Se na juventude era mais rápido escalar escadas,

agora os elevadores são bem mais ligeiros.


Só que algo se lascou nesse meu recipiente paradeiro.

Não sei a roça que como,

mas como formiga que sou

desci pelos túneis do meu formigueiro...



9 de out. de 2025

 

Meu eu do futuro já me disse:

O amor multiplica o sofrimento;

Não existe revolução no amor,

Ele é conservador e radiador ao mesmo tempo.


Meu eu do futuro já me disse:

Paixão não é lugar pra entendimento;

Tudo nela desvaloriza a vida,

Ela é sempre egoísta e oportunista todo o tempo.


Meu eu do futuro já me disse:

Desejo é um cruel deslumbramento;

A infelicidade amorosa nasce nele

E nele morre, compaixão dolorosa, no fim do tempo.

27 de abr. de 2025

 

Nunca me arrependo

de ceder aos meus instintos

e necessidades: menos uma: A FOME!


Comer me cansa e profundamente entedia,

pelo simples fato de ter que fazê-lo todo dia.

Detesto ter que me repetir com tanta regularidade;

comer (e descomer) são, para mim, esse eterno desastre.


Ah, se pudéssemos ficar sem a tal nutrição durante meses...

Mas, somente o estômago para, facilmente, não sermos deuses!

7 de fev. de 2025

 
Em algum momento a vida
De todo mundo desmorona
Em algum momento da vida
Todos vamos desmoronar.


Inventar é viver
A vida é invenção
Recordar é gravar uma relembração.


Desinventar é morrer
Mortes são amnésias
Um mar sorrateiro derrubando falésias.


Ser esquecido é ligeiro
Ser deslembrado é unção
Da história que se perde
Da memória que se esquece
Pois se esquecer é uma benção:


d’O Tempo
d’A Temporalidade
d’Aquela ilusão relativa absolutamente real
Que viaja entre as dimensões da física natural
E em todas as direções se dilata e se espreme
Não há nada que não rejuvenesça
Não há coisa que nunca envelheça
Até dEUS diante do tempo treme.

1 de set. de 2024

 

Não lembro a primeira vez que me esforcei

Pra terminar alguma coisa

Em minha vida.


Talvez no parto, talvez não, não lembro, talvez tenha sido uma cesariana, é bem plausível…


(Dia desses minha própria Madre me desencorajou a enfrentar um trabalho doloroso;

minha namorada…também.)


Nunca lembro a primeira vez da primeira vez de nada em minha vida.


Se fiz coisas foi só pela pura chatice de fazê-las:


Vestibular = boring;

Concursos = boring;

Campeonatos = boring;


Empregos, já os tive, nunca gostei.


Aprendi que todo esforço constrange e destrói

E que sempre que tive que me esforçar

Pra executar alguma coisa

Acabei desistindo.


Não gosto de romances forçados:

Prefiro os suados.


Não gosto de problemas difíceis:

Prefiro os felizes.


Não gosto de amigos penosos:

Prefiro os saudosos.


Não gosto de dilemas éticos:

Prefiro os estéticos.


Mas nem quero com isso...comemorar


(ou pregar!)


Uma vida fácil:


Sem

Muito

Esforço.