21 de set. de 2023

 

Espero estar menos tolo e mais limpo

Antes da estupidez chegar.

Sei que infelizmente

Ou felizmente

Ela virá.

Demente como a embriaguez

E as lágrimas forçadas

Do fim de um casamento sem traição:

A vida é assim: nem se trai, nem se é traído;

A vida é tal qual relacionamento

Que sempre termina sem herança,

Sem separação de bens

E sem juízo.

Sei que é preciso aceitar o estranhamento

Da velhice e a vizinhança da morte,

Como se fôssemos estrangeiros

Numa rodoviária

Com a bagagem

Extraviada.

É impossível parar o Tempo sem fuder a Eternidade.

Como não há o que ser feito me farei um tanto bêbado,

Um pouco menos tolo e quase sozinho,

Sem meu cão...

E quando a impávida estupidificada chegar

Já não fará diferença se tomei banho ou não.


6 de set. de 2023


Existe um certo cheiro de felicidade

Como também o das coisas felizes

E felizmente tu guardas tua maldade

Antes que eu cometa os meus deslizes.


Mas deslizo em teu cheiro de boneca

Feita toda pela indústria do petróleo

E trago perto do teu rosto a munheca

Que deslizas em meu corpo magnólio.


Existe sim, um certo cheiro, já te disse

Infeliz fico quando vejo alguém triste

Pois sempre sinto essas tais comoções.


E assim, riste, eu estendo minha rima

Bem melhor que preencher só a narina

Preencherei de alegria teus pulmões.

25 de jul. de 2023

 

Não revelar o passado

Não relembrar o futuro

Se for desvelar o presente

Não o faça em cima do muro.


Não remarcar o encontro

Não recuperar o perdido

O tempo é um deus sem retorno

Nem moral com benesse ou castigo.


Viver sem eternos engodos

Morrer sendo bicho saudável

Nunca guerrear pelos tolos

Sempre reler alguns sábios.

23 de jun. de 2023


A vida é gosto e desgosto
A vida é plugue e tomada
Na vida o eterno retorno
Trafega do nada ao nada.

Em vida o todo me enxerga
E navega pra me atravessar
Atiro na vida uma seta
E a seita me aceita no ar.

A vida é como uma vela
Ou leme partido no mar
Há quem nunca naufrague
E há quem vá se afogar.

20 de jun. de 2023

 

O mundo do trabalho

cria uma ilusão de funcionalidade

e uma jaula de burocrática sub-existência.


O mundo da arte

(assim como o sexo e o entorpecimento)

cria o desejo sincero e perene 

de prazer sensorial imediato.


O mundo da vida

cria preenchimento constante

no vazio da busca de significados irrealizáveis

e sem – nenhuma – validação científica.