11 de abr. de 2026

 

A minha garota tem uma beleza esquisita:

às vezes faca,

às vezes pipa.


A minha menina tem uma voz absurda:

às vezes de pata;

às vezes de puta;


A minha mulher tem a mente engraçada:

às vezes

vezes

vezes

Nada...


A minha moça tem um olhar remoto:

às vezes tele

e noutras toco.


A minha pequena tem humor estranho:

às vezes cospe

e eu sempre banho.


A minha consorte tem muita sorte:

pois sempre goza:

ficante

forte.

18 de jan. de 2026

 

Algo deu errado dentro do meu exoesqueleto anímico.

Como um apêndice mal escrito,

sem propósito...

Ou uma apendicite não superada, supurada.


Sou, na estrada da vida, uma raposa bela atropelada.


Estou ficando velho e assertivo;

velho e anciloso;

velho e mais cativo

e chatoso, cheiroso, chicoso, choroso, chuvoso.


Ontem, coisa inédita!, sonhei que fiz um exorcismo:

Proferi palavras doces e fortes

contra o demônio

que a dominava;

(Enquanto seu pai fugia num táxi sem passageiros.)


Ah, pra quê esses sonhos tão derradeiros?


Se na juventude era mais rápido escalar escadas,

agora os elevadores são bem mais ligeiros.


Só que algo se lascou nesse meu recipiente paradeiro.

Não sei a roça que como,

mas como formiga que sou

desci pelos túneis do meu formigueiro...