Se nascer:
Persevera no Ser;
Teima crescer.
Busca poder.
Entenda aparências.
Sinta os sentidos.
Esqueça essências.
Cuida dos vivos.
Lembra dos idos e dos que se vão,
Nada na vida tem solução.
Reproduza, talvez,
E morra de uma vez!
"A linguagem é a morada do Ser..." (Heidegger)
Se nascer:
Persevera no Ser;
Teima crescer.
Busca poder.
Entenda aparências.
Sinta os sentidos.
Esqueça essências.
Cuida dos vivos.
Lembra dos idos e dos que se vão,
Nada na vida tem solução.
Reproduza, talvez,
E morra de uma vez!
Tremores trêmulos teimam e trepam
em minha fronte
enquanto trepo na paisagem dela.
Seus glúteos são como proteicas colinas
que escalo e depois salto
sem titubear.
Tremo diante dos massivos seios
que um dia hei de sorver;
e sua boca dissimulada me convence
a sua virilha lamber.
Com efeito,
meu pênis de poeta-otário-ateu
é pedagogicamente adestrado,
pela mãozinha, delicada e devassa,
que tensa e trêmula, nessa noite com muito tato, me fará tremer...
As árvores devoram as águas e o ar
E se arvoram em nos devorar
Minha ânima é bruta
Meu corpo é vento
Entre as tormentas eu sou tormento.
As árvores devoram os vivos e os mortos
Cadáveres velhos de dentes postos
Minha xilema é bruma
Meu sangue é floema
Das raízes as folhas meu tronco é poema.
As árvores devoram o tempo a passar
Bem lentamente e sem mastigar
O tempo é a vaga
Ao vagar na ventania
Não tenho tempestade nem sou calmaria.
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