22 de nov. de 2022

 

Se nascer:

Persevera no Ser;

Teima crescer.

Busca poder.

Entenda aparências.

Sinta os sentidos.

Esqueça essências.

Cuida dos vivos.

Lembra dos idos e dos que se vão,

Nada na vida tem solução.

Reproduza, talvez,

E morra de uma vez!

16 de out. de 2022

Tremores trêmulos teimam e trepam

em minha fronte

enquanto trepo na paisagem dela.


Seus glúteos são como proteicas colinas

que escalo e depois salto

sem titubear.


Tremo diante dos massivos seios 

que um dia hei de sorver;

e sua boca dissimulada me convence

a sua virilha lamber.


Com efeito, 

meu pênis de poeta-otário-ateu

é pedagogicamente adestrado,

pela mãozinha, delicada e devassa,

que tensa e trêmula, nessa noite com muito tato, me fará tremer...

16 de ago. de 2022

 

As árvores devoram as águas e o ar

E se arvoram em nos devorar

Minha ânima é bruta

Meu corpo é vento

Entre as tormentas eu sou tormento.


As árvores devoram os vivos e os mortos

Cadáveres velhos de dentes postos

Minha xilema é bruma

Meu sangue é floema

Das raízes as folhas meu tronco é poema.


As árvores devoram o tempo a passar

Bem lentamente e sem mastigar

O tempo é a vaga

Ao vagar na ventania

Não tenho tempestade nem sou calmaria.

12 de ago. de 2022

Só é possível ser feliz sendo finito;

O infinito é o tédio em sua plena imperfeição.


31 de jul. de 2022


Para Miró

Hoje é o velório
E amanhã é o enterro.
O poeta jaz no empório
Para o nosso desespero.

Vamos beber o morto
e brindar às boas horas;
Recordar os versos, roucos,
E gargalhar lembrando glórias.

Hoje o poeta bailou
Sua última dança com a morte.
Amanhã será seu enterro,
Amanhã sua última performance.