13 de mai. de 2022

 

Quem assiste muito a vida

Se só assiste: observa pouco

Quem insistir em comprar a vida

Viverá sempre de troco


Quem teme muito viver

Muito na vida não vive

O sol me tomba ao entardecer

E tarde eu acordo mais livre


Liberto, escrevo o que penso

E sei que ninguém me lerá

Escrevo pra não ficar tenso

Recito pra não ter que cantar.

9 de abr. de 2022

 

Eu so’um bom partido sem futuro

Mestre da escuridão e da rutilância

Sou a epigenética da estância

E a sociobiologia do lado impuro.


Eu sou o autoengano que deu certo

O otimismo do povo embrutecido

Dos idiotas eu sou o mais sabido

E entre sabidos eu sou menos esperto.


Eu sou o cãozinho domesticado

Uma neotenia grávida de lombrigas

Gritando, contra o mundo, pelo aborto.


A religião primitiva desse gado

Um professor sem alunos e intrigas

Dando aulas, pelos bares, absorto.

18 de fev. de 2022


Antes havia macacos que eram quase homens.

Agora há homens que são completamente macacos.

15 de jan. de 2022

Já fui boa influência em tua vida,

Te fazendo bem menos ansiosa,

Deitei a indulgência toda prosa,

E tu sempre de guarda, não rendida.

De repente não achaste mais saída;

Disseste: Não cabemos nesse tempo!

Pelejei pra entender este momento,

Vi sangrando a eterna comoção,

Percebi nosso mundo ali no chão,

Quase morto, esperando passamento.

9 de dez. de 2021

O Não-Ser não é impossível;

Há Não-Ser, não há?

Talvez o Ser seja plausível;

E o Tao também, tá?