9 de abr. de 2022

 

Eu so’um bom partido sem futuro

Mestre da escuridão e da rutilância

Sou a epigenética da estância

E a sociobiologia do lado impuro.


Eu sou o autoengano que deu certo

O otimismo do povo embrutecido

Dos idiotas eu sou o mais sabido

E entre sabidos eu sou menos esperto.


Eu sou o cãozinho domesticado

Uma neotenia grávida de lombrigas

Gritando, contra o mundo, pelo aborto.


A religião primitiva desse gado

Um professor sem alunos e intrigas

Dando aulas, pelos bares, absorto.

18 de fev. de 2022


Antes havia macacos que eram quase homens.

Agora há homens que são completamente macacos.

15 de jan. de 2022

Já fui boa influência em tua vida,

Te fazendo bem menos ansiosa,

Deitei a indulgência toda prosa,

E tu sempre de guarda, não rendida.

De repente não achaste mais saída;

Disseste: Não cabemos nesse tempo!

Pelejei pra entender este momento,

Vi sangrando a eterna comoção,

Percebi nosso mundo ali no chão,

Quase morto, esperando passamento.

9 de dez. de 2021

O Não-Ser não é impossível;

Há Não-Ser, não há?

Talvez o Ser seja plausível;

E o Tao também, tá?



17 de jul. de 2021

 

Somos insetos hedonistas

Exoesqueletos vazios

Artrópodes navegantes

Cujas patas navios.


Somos cupins no amor

E abelhas na bebedeira

Formigas sonhando cigarras

De segunda a sexta-feira.


Somos moluscos psicóticos

Equinodermos espinhentos

Às vezes míticos

Às vezes trágicos

Cnidários automáticos

Crustáceos mitômanos

Do profundo Egeu dos clássicos

Ao mais raso do mar dos Bálticos.


Somos aracnídeos de ternura

E platelmintos revoltantes

Saborosos e suculentos

Repulsivos e violentos

Dialéticos e cativantes.