9 de mai. de 2019

Admiro muito o Faz-tudo:
Aquele tipo de sujeito útil,
que com o mínimo de conhecimento em várias áreas,
resolve diversos entraves práticos
da vida cotidiana e do mundo do trabalho.

Admiro, também, o Faz-nada:
O tipo de sujeito inútil,
não muito dado ao trabalho e às coisas utilitárias,
mas que mergulha nos entraves metafísicos
dos fenômenos simbólicos do mundo-da-vida.

5 de abr. de 2019


Não preciso de um grande emprego
Com um vasto salário
E muitas responsabilidades.

Nem os quero…

Em mim não servem,
A mim não vestem,
Só me angustiam.

Que mais preciso eu além de meus livros,
Uns poucos amigos
E alguns goles?
Além do passeio da tarde com o cão amado?
Além do sono justo com a mente limpa?

Uma carteira de cigarros,
Uma garrafa de café,
Papel, caneta e minha letra…

Todo resto é quimera.

Aprender a lidar com a vida
É tarefa pra uma vida inteira;
Mas mesmo sabendo disso,
Espero ficar sábio
(ou menos tolo!)
Antes da senilidade chegar.

7 de mar. de 2019

Se o fato preciso fosse

Assim seriam os fatos

O fato que aqui me trouxe

De fato seria exato

Não sei onde o fato foi

O fato pra mim perdeu

Desconheço os fatos do boi

Dos fatos prefiro os meus.

28 de fev. de 2019

Detesto fazer favores
e às vezes faço.
Detesto emprestar livros
e ainda empresto.
Detesto varrer a casa
e nunca varro.
Em quase tudo que falo
sou bem honesto.

Prefiro favores não pedidos: e outros perdidos;
Prefiro os livros em meu quarto: se não enfarto;
Prefiro o chão cheio de areia: não me aperreia;
Prefiro não ter que me repetir: pra não mentir;

20 de fev. de 2019

Teu parasitismo sexual não mais convence.
Livrei-me de tuas pinças,
Tuas quelíceras,
Teus pedipalpos…


Essa nossa simbiose não se compensa.
A viscosidade, dos nossos fluidos,
Já não condensa.


Os aguilhões contentes,
Brilhosos e cortejantes,
Que em nossos corpos quentes
Se fincam tão gotejantes,


São rijos e são ardentes,
Mas chegam tão murmurantes,
Que só ao partirem sentes
A ausência dos meliantes.


O escoamento laminar de nossas taras,
Quebram com a tesão superficial.
Livrei-me de tuas presas,
De tuas pressas,
De tuas patas…


...e ainda sou teu hospedeiro
Natural.