28 de fev. de 2019

Detesto fazer favores
e às vezes faço.
Detesto emprestar livros
e ainda empresto.
Detesto varrer a casa
e nunca varro.
Em quase tudo que falo
sou bem honesto.

Prefiro favores não pedidos: e outros perdidos;
Prefiro os livros em meu quarto: se não enfarto;
Prefiro o chão cheio de areia: não me aperreia;
Prefiro não ter que me repetir: pra não mentir;

20 de fev. de 2019

Teu parasitismo sexual não mais convence.
Livrei-me de tuas pinças,
Tuas quelíceras,
Teus pedipalpos…


Essa nossa simbiose não se compensa.
A viscosidade, dos nossos fluidos,
Já não condensa.


Os aguilhões contentes,
Brilhosos e cortejantes,
Que em nossos corpos quentes
Se fincam tão gotejantes,


São rijos e são ardentes,
Mas chegam tão murmurantes,
Que só ao partirem sentes
A ausência dos meliantes.


O escoamento laminar de nossas taras,
Quebram com a tesão superficial.
Livrei-me de tuas presas,
De tuas pressas,
De tuas patas…


...e ainda sou teu hospedeiro
Natural.

10 de jan. de 2019

O direito é uma ficção
Assim como toda religião
Acreditar nos códigos do vade mecum 
É como crer nos mitos da bíblia e do corão
Juízes, promotores e advogados
São como padres, pastores e ordenados
Que manipulam palavras antigas e letras mortas
Ao bel prazer de suas pombas tortas.

8 de nov. de 2018

Os limites da nossa finitude
Nos traz o tolo medo da solidão
O resultado infeliz dessa equação
É viver uma vida sem plenitude

Os anseios de nossa incompletude
Nos dão angustia e receio do porvir
É que o futuro só pertence ao existir
E sem essência não há passado que perdure

Por isso peço Luíse: Luze! e lume
Que teu luzir será sempre uma alegria
Iluminando meu habitat de fantasia
Em tua luz desmancharei meu azedume

19 de out. de 2018

Eu perco o interesse
muito rapidamente
por todas as coisas,
mas nunca me senti
desgovernado
por isso.
Talvez esse seja o meu (des)governo,
minha autocracia catártica,
minha monocracia anárquica.


O mundo inteiro despencando
em gravidade zero,
e meu ouvido interno
em pleno equilíbrio.


O planeta está entrando numa eutanásia ou num suicídio?


Confesso que perdi mais do que venci,
sem me importar muito
e sem nenhuma insistência;
mas meu desinteresse não é pessimismo
nem impotência…
É, talvez, por que saiba,
que também a tragédia
nos eleva à existência.