31 de jan. de 2018



Não creio em instituição nenhuma de meu país!

Nunca me deram posição contrária,

Que não me torne triste puta ou meretriz,

Ou só me faça ser coisa depositária.


De mim tirou tudo - pobre infeliz –

Que nem lutei pela paixão agrária,

E achou tão pouco, tal qual juiz, 

Que tira o chão e o pão de quem trabalha.

12 de dez. de 2017



Só há uma possibilidade de ser feliz: nem tento.
Só há uma maneira de agir-no-mundo: mudando.
Pra ser infeliz existe uma fórmula: não sendo.
Pra sair de casa só tem um jeito: mundano.

30 de nov. de 2017



Ano que vem,
Provavelmente,
Eu chegue aos 40.
Em junho festivo-intempestivo,
Talvez contemple,
Minhas 4 décadas como se fossem 80.
E que plena alegria tão juvenil me tomou de repente!
Beberei no intervalo:
Findou primeiro tempo
No meu jogo de 90.
O jogo reinicia,
Mas o fim é iminente,
Pois cabe ao Ser reencontrar seu Ente.

16 de nov. de 2017



Eu sei,
Todos sabem,
Que todo mundo
É...
É alguma coisa para a morte.
(não sei de quase nada, nem da morte.)...
Quieto,
Observo a vizinhança, e já,
Já nem me dirijo
Para não me acelerar
À morte.
Não dou mais conselhos a Seu ninguém...
Nem cumprimento formigas...
Não vou a enterros...
Nem reforço expectativas.
Mas sei nadar muito bem;
Menos nas águas
E na vida.

3 de out. de 2017



Sou teu cidadão.
Tu me rodeias e acrescentas
E em ti transito e transo,
E isso nunca me redime ou diminue.
Reduzir-me-ia se fosse eu mais um objeto abjeto do Estado;
Mas não,
Não sou tão gentalha da coisa pública assim.
Sou teu particular orgasmo;
Em tuas ruas, avenidas, morros, becos, vilas, praças, jardins, bairros e logradouros...
Sou teu cidadão tombado;
E na cidade que és tu:
Sou fé,
Virtude
E sorte.