29 de jul. de 2015

Em ocasião de visita ao poeta internado.

Hoje, justo hoje, nem sei que hora era
Comecei a sentir a boca anestesiada
Nesse dia fui rever Miró da Muribeca
E sonhei pra toda pereba uma pomada.

Eu digo hoje, porque logo hoje, era dia
De ir não recitar em canto algum
A boca mole na dormência adormecia
Baba dentro da fala do ziriguidum.

Mas quero deixar claro que foi hoje
Pois se fosse amanhã, também diria
Que a vida desse meu nego vale muito
E muito mais (ou menos) sua poesia.

7 de jul. de 2015

De Súbito!
De súbito, a racionalidade de um homem some como se nunca houvesse existido.
E o que existe?

Belas lembranças de momentos históricos, pairam na embriaguez de um não haver insistido.
E o que insiste?

Projeto ideias e vontades a respeito da espécie que faço parte e da qual desisto.
E o que não desiste?

A potência que agora exala de mim é a vida auto-afirmando a vida que suicido.
E o que não subsiste?
E o que não subsiste?

E o que não...

29 de mai. de 2015


Sendo eu feito nata
Meu soluço me engole
Minha dor é coalhada
Que o sorriso comove


O sabor não é farsa
Só reflete o que pode
Meu andor nessa graça
Minha vida dissolve


Não sinto gosto de nada
Nem do creme mais mole
Mas sendo a vida inata
Haverá quem me console

.

29 de mar. de 2015


Em minha rua mora um doente mental.
A casa é pequena,
mas o jardim é grande.

Moram vários doentes em minha rua...
A rua não é longa,
mas o jardim é o mundo.

14 de fev. de 2015

Pra Festa da Carne.

Muitas vezes:
Nos arrependemos,
De pequena coisa,
Diminuta lousa,
Tão vazia e solta,
Preenchendo à gota,
E no fechar da conta,
Essa coisa toda,
Não nos leva a nada.

D’outras vezes:
Nós nos orgulhamos,
De calar a boca,
De beijar na coxa,
Desabotoar a roupa,
Descobrir na sombra,
Que no fim da onda,
Dessa coisa louca,
Voltamos ao nada.