15 de out. de 2013

Com meus dedos molhados
Escrevo melhor;

E quando molho meu cérebro
Escrevo melhor.

Fazendo um molho apimentado,
Escrevo melhor.

Depois me estrepo e me largo
E escrevo melhor.

Às vezes até desmaio
Escrevendo melhor!

Em tudo que faço e me escrevo (de lado)
Eu sinto o melhor...

Mas não respeito sintaxe,
Nem mesóclise,
Nem semiótica;
E quem dirá que é pior?

5 de set. de 2013

Às vezes é como se a alma fosse contas a pagar.
Às vezes é como se o corpo fosse casa a se arrumar.
Toda angustia de finitude tem um começo.
Avizinhar-se de toda morte tem seu preço.

Volições são desejos amarrados aos nossos pés.
Vocações são mentiras que enforcam os infiéis.
Em qualquer Ser é possível se universalizar.
Enquanto o Ente atua como ator sem interpretar.

Não existe trabalho.
Não existe produção.
Tudo é ato falho.
Ao fim tudo é adaptação.

Não somos o Eu.
Nem somos o Outro.
O que era vivo viveu.
E o que já se foi era pouco.

9 de ago. de 2013


Sabe aqueles queijos caros,
Que de tão bons e refinados e estragados,
Fedem?

Sabe aquelas leituras diferentes,
Que de tão à frente e rebuscadas e estragadas,
Tardam?

Sabe aqueles amigos especiais,
Que de tão estranhos e imponderados e estragados,
Atraem?

Sabe aquelas coisas bem doidas,
Que de tão loucas e coisadas e meio estragadas,
Impulsionam?

Pronto,
O amor é isso!
É estragar e ser estragado ao mesmo tempo...


28 de jul. de 2013

Para minha Claríssima.

Chego sempre de manhã do plantão
Acordo-a entre beijos e fazemos amor
Preparo, depois, o café-com-leite e pão
Tudo dulcificado e com muito sabor.

Agora, devagar, enquanto ela se banha,
Abro um vinho e caio no sofá.
O menino acorda cheio de manha
Então o visto, pra na escola brincar.

Sigo tal rotina alegremente
Tenho outra cria, mas já é gente
Difícil é ter a casa só pra mim.

Quando fecho um olho cansado
Sinto o sonho de haver encontrado
Um paraíso ou meu canto num jardim.

12 de jun. de 2013

(Livremente inspirado na canção homônima de Zeca Viana.)

Sendo verdade que há sol em mim
Há também de haver alguma dor
Por tanto, se tal sol, queima-me
Sirvo minha carne à cor.

Corro no sol entre fotocélulas
Para ver de perto toda fotossíntese
E quando debato algumas querelas
É tudo tese, tudo síntese, tudo antítese.

A minha Natureza é biopolítica
Mas meu Estado não está na matéria
Há combustão em minha estilística
Assim como o sol, sou substância etérea.