5 de fev. de 2010

fugaz, como sua própria beleza.
sem profundidade, como sua visão de míope.
superficial, como todo seu epitélio.

assim ela era;
e assim eu a tive...


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28 de jan. de 2010

Já que posso falar sem sexo
Cópula das coisas que emprenho
As vulvas que não tive, detesto
D’aquelas que virão me abstenho

Só sei do que sou destarte
Das músicas que faço noturno
Se creio plausível algum’arte
É crença no nobre Saturno

Mitos não tenho nem quero
Relógio no pulso é prender
O tempo como um sinestésico

O tempo pra mim é morrer
Prefiro então o anestésico
Que faz Eu dormir sem doer

...

10 de jan. de 2010

Ao contrário dos rapazes de minha época
Nunca fui de me masturbar no banheiro
Além de achar o local pouco relaxante
E um tanto inconveniente para tal prática
Sempre detestei a idéia
De meu sêmem
[com milhões de espermatozóides meus]
[e em todos eles meu código genético pulsando pela vida]
Ser lançado numa descarga frenética
Para ir nadar
MoriBUNDAmente
Numa grande caixa-de-merda.

15 de dez. de 2009

As cicatrizes demoram a sair do meu corpo
Não estou dizendo isso para parecer demasiado sofrido ou soturno
O fato é que
As cicatrizes demoram a deixar o meu corpo
E há algumas que nunca se vão
Como coisas da alma

Por isso
Parei de datar minhas cicatrizes
Assim como parei de datar
Meus poemas e desamores

Parei porque umas e outros somem
E a data já não é problema

Parei porque umas cicatrizes
E outros poemas
Ficam
E a data me apoquenta

23 de nov. de 2009

Bati o carro, mas continuo bem vivo
A adrenalina do momento espantou-me o sono
Bater o veículo me deixou um tanto altivo
Sem decompor meus átomos de carbono

A colisão me tornou bem mais vivo
Sem mortos-vivos para me tirar o sono
Amo viver (e assim morrer) hiperativo
E o imperativo categórico, abandono

Vou atravessar as avenidas dessa vida
Extinguindo o medíocre jeito de viver
Vou dirigir minha carruagem sem medida
Pois sem medidas eu vivi sem me esconder