*
Tijolos de areias e pedras e algas constroem o meu corpo
Minha vida de ferro
E ferrugem
Foi corroída pela maresia do mar dos sentimentos
Os peixes desse mar
Alimentam-se dos tijolos do meu corpo
E eu para me proteger
(ou para fugir, não tenho certeza...)
Tenho feitos corais ao meu redor
Preciso desses corais para sobreviver no mar
Mas preciso desse mar
Preciso
Como quem precisa de água para matar a sede após o sexo
E preciso do meu corpo
Para alimentar os peixes e fazer sexo
Deitado em meus corais
Transar com o mar e com os peixes
Então minha vida de ferro se desmanchará
E farei parte dos peixes...
E farei parte do mar...
*
3 de fev. de 2009
6 de jan. de 2009
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Chega de falácias e perdões
Agora vejo a travessia mais distante
Não tenho moral, tenho solidões
Nenhuma dor pode ser paralisante
Chega de apegos as traições
Acima disso há um espírito cantante
Virtuoso em potência e evoluções
Pois a vontade é essência estimulante
Preciso meu caminho retomar
E o endereço que procuro é a ponte
Mas que não seja materialista nem ideal
Entre o eu e o além-eu contemplar
Que no ser e no não-ser existe a fonte
Para fundar meu conhecimento no irreal
*
Chega de falácias e perdões
Agora vejo a travessia mais distante
Não tenho moral, tenho solidões
Nenhuma dor pode ser paralisante
Chega de apegos as traições
Acima disso há um espírito cantante
Virtuoso em potência e evoluções
Pois a vontade é essência estimulante
Preciso meu caminho retomar
E o endereço que procuro é a ponte
Mas que não seja materialista nem ideal
Entre o eu e o além-eu contemplar
Que no ser e no não-ser existe a fonte
Para fundar meu conhecimento no irreal
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10 de dez. de 2008
Para Zeto
Ser em fim um meio de tudo
Ter em mim um freio de burro
Pensar no todo como inteligível
De toda mudança enxergar o sensível...
Ter em fim um pedaço do bolo
Ser em mim a metade do todo
Pensar no amanhã como algo não meu
Um futuro vazio é o passado de Deus...
Ser a fiadeira desse universo parco
Costurar as estrelas de meu peito em meu braço
Saltar as janelas de dimensão em dimensão
Buscar da ciência a costela de Adão...
O nada vazio é impossível de ser
O infinito-perfeito um fim deve ter
Não crer no saber diferente ou igual
Crer no não-ser como ente real...
11/11/2002
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