3 de mai. de 2020


A Vitória é filha da ambição,
Mas a Vontade nunca é saciada.
A esperança é a última que morde
E ela já me deu uma dentada.

Para Vitória estendi a minha mão,
Eu já de pé e ela’inda deitada.
Esperei pois o esperar não morre,
Que a paciência velha está sentada.

Na Vitória depositei uma canção,
Com esses versos fiz a sua estrada,
Nas curvas dela escrevi um mote:
Ao me encontrar esteja preparada.

12 de abr. de 2020




O tédio, o sono,
O Ego e o sonho
Dominam meu passatempo:
Os movimentos rápidos dos olhos,
Em minhas Sombras, postas como corvos,
Que em meu umbral repousam os seus ovos,
E me lançam ao bojo de meu incompleto esquecimento.

Pois há incompletude em meu inconsciente...
E há arquétipos demoníacos, frutos da minha mente,
Que se projetam e se negam, orgíacos, mutuamente;
Onde o Superego se revela Ser inconsistente:
E fútil e frágil
E paralítico
E Ente.


31 de mar. de 2020


...Às vezes,
tenho uma sensação engraçada
dentro da minha lataria mental,
às vezes…

Nessas vezes,
sinto um misto de palco e de talco,
um Gil artista e um tímido Fábio,
factual…

É meio como quem tem um filho
ou uma filha
que já tem uma filha
ou um filho
e essa criatura compartilha o seu gene
de uma vez por todas e de todas
as formas possíveis.

Então você multiplica
o cálculo de toda essa vida
e conta com tudo em reverbes;

mas ao invés de temer essa sorte,
você dorme sabendo que a morte,
em você, perdeu seus reveses.

23 de fev. de 2020


Ela discursava:
Era antes,
Agora não era mais.
Veja, perceba, note, repare:
Ela;
E não era mais.
Antigamente era,
Mas atualmente não era, mas...
Era e não era mais!
E não era e era, mas depois era e não-era e sempre/nunca era, néra?

Na época demorava uma Era,
Mas Era é outro tipo de era;
Que não era mais...

20 de fev. de 2020



Tenho uma satisfação quase eterna,
Feito pedra;

E uma empáfia efêmera e astuta,
Como fruta;

Guardo na boca água em textura,
Tal gordura;

Contudo só cuspo saliva-ptialina,
não dentina;