23 de fev. de 2020


Ela discursava:
Era antes,
Agora não era mais.
Veja, perceba, note, repare:
Ela;
E não era mais.
Antigamente era,
Mas atualmente não era, mas...
Era e não era mais!
E não era e era, mas depois era e não-era e sempre/nunca era, néra?

Na época demorava uma Era,
Mas Era é outro tipo de era;
Que não era mais...

20 de fev. de 2020



Tenho uma satisfação quase eterna,
Feito pedra;

E uma empáfia efêmera e astuta,
Como fruta;

Guardo na boca água em textura,
Tal gordura;

Contudo só cuspo saliva-ptialina,
não dentina;


24 de jan. de 2020


A civilização não é nada.
É uma farsa o processo civilizatório.
Não importa a cor da gravata,
És somente bicho em teu escritório.

A humanidade não existe,
Nem existem seres humanos.
Livros existem e esse escrito vive,
Mas morrerá como todo engano.

Não tenho pena de ninguém,
Nem de mim mesmo…
Sigo a esmo...

Sei que o tempo é o pior dos males
E o maior dos remédios!
Tenho tédios.

20 de jan. de 2020

Cachos!
Cabelos!
Matos!
Mataria pelos teus cachos
E nos pêlos dos teus matos
Com teus cabelos em meus braços
Eu seria um laço
E seria lábio.
O lascivo salivante e sábio...
Pois também queria que tivesses penas:
Coloridas, plumosas e bem pequenas;
Assim serias meu dinossauro.

12 de dez. de 2019


Faço a mala, refaço, desfaço
Disfarço que vou viajar
Fecho os olhos e dou alguns passos
Tropeço e despenco no ar

Peço um gim e a tônica amarga
É função da quinina amargar
O melhor da viagem é a mala
Que carrego comigo pro bar

Essa mala, senhores, não pesa
Mas a mala me tira um pesar
São pesares de uma vida poeta
Abre-me os olhos e me faz flutuar