28 de jul. de 2013

Para minha Claríssima.

Chego sempre de manhã do plantão
Acordo-a entre beijos e fazemos amor
Preparo, depois, o café-com-leite e pão
Tudo dulcificado e com muito sabor.

Agora, devagar, enquanto ela se banha,
Abro um vinho e caio no sofá.
O menino acorda cheio de manha
Então o visto, pra na escola brincar.

Sigo tal rotina alegremente
Tenho outra cria, mas já é gente
Difícil é ter a casa só pra mim.

Quando fecho um olho cansado
Sinto o sonho de haver encontrado
Um paraíso ou meu canto num jardim.

12 de jun. de 2013

(Livremente inspirado na canção homônima de Zeca Viana.)

Sendo verdade que há sol em mim
Há também de haver alguma dor
Por tanto, se tal sol, queima-me
Sirvo minha carne à cor.

Corro no sol entre fotocélulas
Para ver de perto toda fotossíntese
E quando debato algumas querelas
É tudo tese, tudo síntese, tudo antítese.

A minha Natureza é biopolítica
Mas meu Estado não está na matéria
Há combustão em minha estilística
Assim como o sol, sou substância etérea.


21 de mai. de 2013



De manhã cedo calço minhas botas
E caminho por sobre o sol de minha solidão.
A toda hora penso
No quão seria mais prazeroso caminhar
Se meus pés não doessem tanto.
O estado reflexivo ativado pela dor dos meus pés
Em meu córtex cerebral
Faz lembrar que mereço tudo isto.
Prometo a mim mesmo que amanhã
Acordarei tarde da noite
Calçarei minhas botas
E caminharei por sobre a lua de minha solitude.
Queria também poder nadar
Em horários alternativos
Com um tal peixinho
Que tanto me completa
E que agora
Ficou um pouco distante de minha solidão e de minha solitude;
Mas não tenho nadadeiras:
Só essas velhas e confortáveis botinhas ortopédicas
Para diurnas ou noturnas caminhadas reflexivas.

8 de mai. de 2013

SAM


(Saudades, meu Doctor Pulga)

Brincava eu, tão absorto, em minha infância
Buscava germes, um larva migrans, adormecido
Queria espaço, dançavam astros, sentia ânsia
Na minha derme, o corpo externo, fez mais sentido

Sentia muito a tua falta e tua querência
Sabia eu que te amava e que eras meu
E a coceira, então me davas, era presença
Canídeo lindo, filho do lúpus, és androceu

E tua estrada que surgia em minha pele
De tatuagem blindou minha epiderme
Quase querendo atropelar a circulação

Sei que morreste atropelado e então te digo
Que teu destino foi meu maior castigo
E sinto imensa falta tua, querido Cão.

2 de abr. de 2013


Sempre que assisto aos Simpsons
penso se ainda posso encontrar uma Marge em minha vida;
que cuide, entenda, aceite e sobretudo ame, meu jeito Homer de ser.