14 de mar. de 2013


Para Hellen.

Amo-te, pequena mina tão rebelde
Porém pareces minar meu coração
Tal amor nunca cabe num só balde
Coube já, no bojo de minha mão...

Ganhei eu, uma menina tão açoita
Que afronta paciência quando quieta
Miudinha e marota pela moita
Bem na vida me complet’alma deserta!

Dos rebeldes nada sei o que dizer
Fui um deles, talvez possa explicar:
Sou artista e uma artista ais de ser
Só espero que não deixes de me amar.

22 de fev. de 2013



Um carnaval de pessoas passou por aqui:
Brindaram meu corpo.
Blindaram meu pênis.
Fumaram minh’alma.
Filmaram meus dentes.

Uma horda de meninas bem resolvidas:
Éguas no cio
Do espaço do meu quarto...
Águas do rio
Do tempo no meu braço...

Tenho (e vejo) as digitais por toda casa:
Mesmo lavando as paredes;
Trocando o lençol manchado;
E agora dormindo em redes
Ou pelo chão imaculado;

Sei que preciso de toda longitude:
No sono fico distante.
O sonho é reforço interno.
Desperto sou caminhante,
Caminho pra longe do inferno.

Que um madrigal de gente venha me consolar:
Tão boba quanto correta,
Sonsa e desregrada
Na medida mais certa;
E sem tanta ruindade que é pra não azedar!


1 de fev. de 2013


Novamente encontro com a danada
Dessa vez doeu mais e mais doeu
Reencontro minha vida tão ingrata
Que a tragédia em mim é coisa inata
No meu mancado esse fardo sucedeu

A idade bem supera os acidentes
A cidade mal-me-quer ao seu sabor
Já não sinto nem na boca os meus dentes
Ao meu leito essas moscas como crentes
Do meu hálito vem aspirar todo fedor

Um relógio quebrado é meu destino
Mancando marca o tempo a parar
Espero ancorar este malsino
Espero não ter mais que esperar

7 de jan. de 2013



De quando em quando penso que minha literatura vai me projetar no mundo!
Penso mais nela do que em minhas composições musicais...
Gosto de música e gosto de poesias e gosto de contos; isso já me basta.

De quando em vez imagino que minha capacidade intelectual é realmente fascinante.
Mas percebo que mais legal ainda é meu código genético.
Gosto de fêmeas e de futebol e de alguns amigos genuínos...

De quando, em horas de angustia, sinto como se tudo fosse um pedaço de pano...
E tento costurar os retalhos com meu ego que é como uma agulha!
Gosto de mim e de ser pateta e de quase todos que erradamente me elogiam;

31 de dez. de 2012


O poeta quando é tido como vagabundo
Quer dizer que tem presença de espírito
Pois depois se fica velho e moribundo
Seus poemas são citados pelo mundo
E estudados por intelectuais fatídicos

Mas se o poeta como boêmio não é visto
Significa que perdeu toda a magia
As palavras foram escritas sem encanto
A beleza ficou presa em algum canto
E os fatídicos não estudam sua poesia