28 de dez. de 2012



Considero-me um sujeito
Sem muitas ou grandes ambições
E de pouco instinto competitivo...

Quem sabe,
O que dentro de uma visão evolutiva/biológica,
Possa parecer uma falha no âmbito da sobrevivência
E da perseveração da espécie;
Talvez, no plano teológico e teleológico
Seja pleno avanço espiritual...

8 de dez. de 2012



Gostar de meter é viver entre abismos;
Mesmo seguro é preciso de pinos.

Olhar outros olhos é perder a visão;
Ser filho da fome lambendo sabão.

Entrar no seu jogo é A putaria;
No entanto te leio como uma poesia.

29 de nov. de 2012


Para Galileu Galilei.

No meu córtex fervilham informações
E em minha colmeia borbulha o nectar
Eterna luta entre conteúdo e estética
Onde as causas se misturam as razões

E assim arrebentou-se toda ética
Em ecos retumbantes de audições
De egos relutantes em tradições
Mergulhei a raiva apagando a métrica

Emergem, então, pulsões vividas
Transformando toda vida em caos
Metamorfoseando o caos em cosmos

E nesse pensar de estrelas garridas
Sinto pena dos pequeninos maus
Como da ignorância dos grandes tolos

(Soneto fabricado em parceria com Maika Rosseau.)

4 de nov. de 2012


Eu me agarrava a ti
E era como se estivesse abraçado a um cadáver.

Tu te agarravas a mim
E era como se eu fosse tua bagagem.

Eu te pedia atenção
E você se perdia na estiagem.

Pensávamos sempre em fugir
E nunca encontrávamos paragem.

Eu não sabia mentir
E você já não tinha coragem.

Fiz uma música então
E teus olhos eram como duas margens.

Eu me perdi na sessão
E você se perdeu nas imagens.

19 de out. de 2012


Para Diógenes de Sínope.

Agora sou vivo
Vivo em mim mesmo
E morto na alteridade
Morto-vivo como uma cama de ex
De outras tantas vivências
De tantos outros alteres

Alterado estou muitos
E muitos agora são únicos
Unos repletos de mim
Nas diversas unidades
Em um fragmento
De fragmentos sem peso

Leve e auto-suficiente, agora, posso ser o mesmo.