29 de nov. de 2012


Para Galileu Galilei.

No meu córtex fervilham informações
E em minha colmeia borbulha o nectar
Eterna luta entre conteúdo e estética
Onde as causas se misturam as razões

E assim arrebentou-se toda ética
Em ecos retumbantes de audições
De egos relutantes em tradições
Mergulhei a raiva apagando a métrica

Emergem, então, pulsões vividas
Transformando toda vida em caos
Metamorfoseando o caos em cosmos

E nesse pensar de estrelas garridas
Sinto pena dos pequeninos maus
Como da ignorância dos grandes tolos

(Soneto fabricado em parceria com Maika Rosseau.)

4 de nov. de 2012


Eu me agarrava a ti
E era como se estivesse abraçado a um cadáver.

Tu te agarravas a mim
E era como se eu fosse tua bagagem.

Eu te pedia atenção
E você se perdia na estiagem.

Pensávamos sempre em fugir
E nunca encontrávamos paragem.

Eu não sabia mentir
E você já não tinha coragem.

Fiz uma música então
E teus olhos eram como duas margens.

Eu me perdi na sessão
E você se perdeu nas imagens.

19 de out. de 2012


Para Diógenes de Sínope.

Agora sou vivo
Vivo em mim mesmo
E morto na alteridade
Morto-vivo como uma cama de ex
De outras tantas vivências
De tantos outros alteres

Alterado estou muitos
E muitos agora são únicos
Unos repletos de mim
Nas diversas unidades
Em um fragmento
De fragmentos sem peso

Leve e auto-suficiente, agora, posso ser o mesmo.

19 de set. de 2012




Beijos, saliva, suor e cor
Cores multicores, coloridíssimas
Hálito quente e sabor
Mares de vidas quentíssimas

Fertilidade e fé fecundante
O choque do orgasmo é um nó
Milhões de seres andantes
À procura de um ser só...

22 de ago. de 2012



Adeus a deus e não diga sim
O meu lado de cá está doendo
As nuvens carregadas de senhores
E a terra cheia de dividendos

Na cidade tudo se encontra
No centro dela ninguém se reconhece
Mas à beira-mar às pessoas são felizes

(Um desfile de cachorros não é loucura 
/ há loucura em ver humanos desfilar)
Nos ônibus lotados brotam poesias quentes
Os outros por lá são não-contentes
As nuvens soltam rajadas lógicas
E a terra da ciência treme sem razão

Inchadas as pernas da moça ¾ quer deitar
Entre abertas ficam a saia e as cortinas
Provocando sempre dor de mente
(Dor-de-dente) (Dor demente)
Sem as calças os homens não se doam
Com as calças os homens não são gente

Nossos primos distantes são não símios
Nossos símios distantes são não macacos
Ancestrais atrás do cais alcoolizados
Procurando alguma fuga n’algum navio
Sempre bem acompanhados e discretos
Que à beira-mar nem todos são concretos