17 de jun. de 2010

Existem momentos...
em que se projetam imagens do (nosso) futuro em nós.

O medo do fracasso ronda nossas empreitadas,

como se fôssemos (pequenos) roteiros de férias.

Tiranicamente nos sobram aos braços nossos sonhos,

(embrulhados) como presentes festivos.

É irônico como os sonhos (freqüentemente) são confundidos:

com faturas do cartão de crédito.

O mundo todo se desfaz

e nós (continuamos) a projetar qualquer felicidade
a médio prazo; enquanto perdemos cabelos e (ganhamos) peso!

Tememos ficar velhos, (gordo/magro ou careca),
sem ao menos ter tocado a face

da plena REALIZAÇÃO-SEXUAL-CAPITALISTA...

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13 de jun. de 2010

Não me vejo em nada
Poucas coisas me felicitam inda hoje
Não vejo graça em trepar
Trepo só pra não ser mais diferente

Sofro péssimas influências
Tanto nas leituras, como nos relacionamentos.

Não preciso de apegos externalizados
Preciso, agora, de sutilezas
Algum dono dos sonhos me disse: Durma
Mesmo sabendo das angustias do sono
(Que é como um retornar a morte...)

Não sou diferente de ninguém
Nem de mim
Não sou parecido com ninguém
Nem comigo
Não quero recobrir a mentira
Só a vaidade
Não quero encobrir o frio
Só os fatos

A falta de inteligência e compreensão
É um dos pilares axiomáticos de toda natureza perceptiva humana
Embora os mais ousados não necessitem dessa percepção

A natureza fez-nos tolos e fortes
Portanto na essência jamais vence-la-emos

O medo de saber-se é o tocar-se sem auto-suficiência

Há construção sem operários famintos?
Sem ideais arquitetônicos?

6 de jun. de 2010

Meus terceiros sonhos da noite
Sempre foram regados a drogas e violência
Numa sensação de poder e impunidade que me toma
Podendo matar e estuprar sem culpas cristãs nem burguesas

Ao despertar por completo do açoite
De meus oníricos festins à grandiloqüência
Sob a ducha fria e calculista que então me doma
Devo me masturbar carinhosamente como atrizes francesas

Mas quando caio de meu mundo napoleônico
Percebo que sou orgânico demais
E não biônico

Engulo atravessado comprimindo os meus ais
Da falha do meu projeto faraônico:
Ser mais capaz

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26 de mai. de 2010

Às vezes eu mesmo penso
depois eu logo digo
em horas eu fico tenso
minutos eu já não ligo.
Com os anos me vou embora
segundos não primeirou
comigo não há demora
contigo não demorou.
Se digo o que penso falo
meu Falo não te pertence
momentos eu mesmo calo;
que o Calo já não se sente
e as pedras eu não resvalo
que amores a gente mente.

13 de mai. de 2010


Antes, muita asma, havia em mim
Uma impotência absurda ao respirar
Um vácuo insuportável a sufocar
Um passeio interrompido n'algum jardim...

Depois, em mim havia, bem pouca asma
Meu peito ainda inflava mui lentamente
Como um mergulho da superfície inda calma
Pras profundezas de tua alma contracorrente...

Durante, agora sei, faltou teus ares
Que aqui não coube então teu universo
E tudo isso me inspirou assim diverso
Trazendo-me desconfortos pulmonares...

No fim eu encontrei o meu remédio
Não contigo, nem sentigo: tão sozinho
Minha asma é um pássaro do meu tédio
Não tendo asas, fez de mim, meu próprio ninho...


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