Meus terceiros sonhos da noite
Sempre foram regados a drogas e violência
Numa sensação de poder e impunidade que me toma
Podendo matar e estuprar sem culpas cristãs nem burguesas
Ao despertar por completo do açoite
De meus oníricos festins à grandiloqüência
Sob a ducha fria e calculista que então me doma
Devo me masturbar carinhosamente como atrizes francesas
Mas quando caio de meu mundo napoleônico
Percebo que sou orgânico demais
E não biônico
Engulo atravessado comprimindo os meus ais
Da falha do meu projeto faraônico:
Ser mais capaz
#
6 de jun. de 2010
26 de mai. de 2010
Às vezes eu mesmo penso
depois eu logo digo
em horas eu fico tenso
minutos eu já não ligo.
Com os anos me vou embora
segundos não primeirou
comigo não há demora
contigo não demorou.
Se digo o que penso falo
meu Falo não te pertence
momentos eu mesmo calo;
que o Calo já não se sente
e as pedras eu não resvalo
que amores a gente mente.
depois eu logo digo
em horas eu fico tenso
minutos eu já não ligo.
Com os anos me vou embora
segundos não primeirou
comigo não há demora
contigo não demorou.
Se digo o que penso falo
meu Falo não te pertence
momentos eu mesmo calo;
que o Calo já não se sente
e as pedras eu não resvalo
que amores a gente mente.
13 de mai. de 2010
Antes, muita asma, havia em mim
Uma impotência absurda ao respirar
Um vácuo insuportável a sufocar
Um passeio interrompido n'algum jardim...
Depois, em mim havia, bem pouca asma
Meu peito ainda inflava mui lentamente
Como um mergulho da superfície inda calma
Pras profundezas de tua alma contracorrente...
Durante, agora sei, faltou teus ares
Que aqui não coube então teu universo
E tudo isso me inspirou assim diverso
Trazendo-me desconfortos pulmonares...
No fim eu encontrei o meu remédio
Não contigo, nem sentigo: tão sozinho
Minha asma é um pássaro do meu tédio
Não tendo asas, fez de mim, meu próprio ninho...
.
28 de abr. de 2010
Para Gabrilha
Talvez não seja uma boa analogia:
Não tocaria você
como quem toca uma agenda metódica de encontros burocráticos.
Tocaria sim,
como quem toca o último cigarro do dia antes de desabar em sono.
Não tocaria você
em cima de altos tamancos e belos adornos!
(como uma inútil taça rodeada de medalhas)
Assim toco cédulas frias em minha carteira!
Prefiro teus pés descalços sem desconforto,
teu contorno...
[As camas e as cadeiras são boas,
mas não submissas.
As redes e os sofás nos abraçam.]
E uma estante com pesados livros plenos de pesadelos,
com efeito, toco.
- Como roupas sujas e engomadas...
- Como palavras trancafiadas num poema...
- Como bailar embriagado numa noite sem orgasmos...
- Como o sorriso disléxico das pequenas coisas que nos odeiam...
Mas nem de longe tocaria neles se deles não fossem feitos alguns dos nossos maiores desejos.
Com objetos que toco
pretender explicar o que sinto
como objetos que toco?
Como encher um copo
e querê-lo vazio!
Como esvaziar a alma
e sonhá-la repleta!
Toco as paredes frias do meu quarto e do meu corpo.
Ajusto as horas no rádio-relógio
e tua falta silenciosa
toca em mim,
sonoramente,
de manhã,
às 10:15
em pon
to.
2 de abr. de 2010
Apesar
Da velhice que me assombra
Da rabugice normal da idade
Da solitude comum com as pessoas
Da solteirice imposta e agora convicta...
Apesar
Da leveza macia da alma
Do pensamento rápido e sincero
Das conversas metafísicas de amigos
De toda honra, nobreza e hombridade...
Apesar
Das bebedeiras homéricas
Da decadência moral
Dos instintos reprimidos
Da espiritualidade latente
Da vitalidade pulsante
Da tresvaloração de todos os valores...
Apesar de tudo que forma
(e do nada que sou)
Do mundo que cerca
(e do além-mundo que me aguarda)
Ainda tenho um pouco de medo do escuro.
Da velhice que me assombra
Da rabugice normal da idade
Da solitude comum com as pessoas
Da solteirice imposta e agora convicta...
Apesar
Da leveza macia da alma
Do pensamento rápido e sincero
Das conversas metafísicas de amigos
De toda honra, nobreza e hombridade...
Apesar
Das bebedeiras homéricas
Da decadência moral
Dos instintos reprimidos
Da espiritualidade latente
Da vitalidade pulsante
Da tresvaloração de todos os valores...
Apesar de tudo que forma
(e do nada que sou)
Do mundo que cerca
(e do além-mundo que me aguarda)
Ainda tenho um pouco de medo do escuro.
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