Apesar
Da velhice que me assombra
Da rabugice normal da idade
Da solitude comum com as pessoas
Da solteirice imposta e agora convicta...
Apesar
Da leveza macia da alma
Do pensamento rápido e sincero
Das conversas metafísicas de amigos
De toda honra, nobreza e hombridade...
Apesar
Das bebedeiras homéricas
Da decadência moral
Dos instintos reprimidos
Da espiritualidade latente
Da vitalidade pulsante
Da tresvaloração de todos os valores...
Apesar de tudo que forma
(e do nada que sou)
Do mundo que cerca
(e do além-mundo que me aguarda)
Ainda tenho um pouco de medo do escuro.
2 de abr. de 2010
29 de mar. de 2010
Para Drica e Tiago, por ocasião de seus votos.
Amar na vidaDe alguma forma
É ser medida
Sem ter a norma
Entra no jugo
Com teu amor
Regra de jogo
Sem vencedor
Pois nada disso
Mede uma régua
Se for preciso
Ame sem trégua
Perca o logos
Mude o ethos
Suba em topos
Desça em tetos
E algo que temas
Em vão será
Sumirão estrelas
Surgirá um mar...
11 de mar. de 2010
para Michel
Nada! Buscar plenitude no vazio.(Cair em contradição calado.)
Responder perguntas simples
Com longos beijos...
Nada? Fugir da certeza de ser.
Preferir a cor do esquecimento.
Angustiado das questões da vida,
Negar os beijos...
Nada. Cobrir-se rápido de si;
Sentir calor aproximado
No confuso objeto do sujeito:
Pedir mais beijos...
%
2 de mar. de 2010
Parece que nasci para ter e perder as coisas.
Já tive de quase tudo
e já perdi mais de um bocado!
Já perdi brinquedos
e roupas;
Já perdi móveis
e elétrons;
Já perdi chaves
e trancas;
Calçados e caminhos;
Ideias e poemas;
Livros e pó...
O pó dos livros do meu quarto,
depósito de minhas células mortas;
Perdidas e achadas,
quando espirro.
Já tive de quase tudo
e já perdi mais de um bocado!
Já perdi brinquedos
e roupas;
Já perdi móveis
e elétrons;
Já perdi chaves
e trancas;
Calçados e caminhos;
Ideias e poemas;
Livros e pó...
O pó dos livros do meu quarto,
depósito de minhas células mortas;
Perdidas e achadas,
quando espirro.
5 de fev. de 2010
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