11 de mar. de 2010

para Michel
Nada! Buscar plenitude no vazio.
(Cair em contradição calado.)
Responder perguntas simples
Com longos beijos...

Nada? Fugir da certeza de ser.
Preferir a cor do esquecimento.
Angustiado das questões da vida,
Negar os beijos...

Nada. Cobrir-se rápido de si;
Sentir calor aproximado
No confuso objeto do sujeito:
Pedir mais beijos...


%

2 de mar. de 2010

Parece que nasci para ter e perder as coisas.
Já tive de quase tudo
e já perdi mais de um bocado!

Já perdi brinquedos
e roupas;
Já perdi móveis
e elétrons;
Já perdi chaves
e trancas;
Calçados e caminhos;
Ideias e poemas;
Livros e pó...

O pó dos livros do meu quarto,
depósito de minhas células mortas;
Perdidas e achadas,
quando espirro.

5 de fev. de 2010

fugaz, como sua própria beleza.
sem profundidade, como sua visão de míope.
superficial, como todo seu epitélio.

assim ela era;
e assim eu a tive...


;

28 de jan. de 2010

Já que posso falar sem sexo
Cópula das coisas que emprenho
As vulvas que não tive, detesto
D’aquelas que virão me abstenho

Só sei do que sou destarte
Das músicas que faço noturno
Se creio plausível algum’arte
É crença no nobre Saturno

Mitos não tenho nem quero
Relógio no pulso é prender
O tempo como um sinestésico

O tempo pra mim é morrer
Prefiro então o anestésico
Que faz Eu dormir sem doer

...

10 de jan. de 2010

Ao contrário dos rapazes de minha época
Nunca fui de me masturbar no banheiro
Além de achar o local pouco relaxante
E um tanto inconveniente para tal prática
Sempre detestei a idéia
De meu sêmem
[com milhões de espermatozóides meus]
[e em todos eles meu código genético pulsando pela vida]
Ser lançado numa descarga frenética
Para ir nadar
MoriBUNDAmente
Numa grande caixa-de-merda.