Parece que nasci para ter e perder as coisas.
Já tive de quase tudo
e já perdi mais de um bocado!
Já perdi brinquedos
e roupas;
Já perdi móveis
e elétrons;
Já perdi chaves
e trancas;
Calçados e caminhos;
Ideias e poemas;
Livros e pó...
O pó dos livros do meu quarto,
depósito de minhas células mortas;
Perdidas e achadas,
quando espirro.
2 de mar. de 2010
5 de fev. de 2010
fugaz, como sua própria beleza.
sem profundidade, como sua visão de míope.
superficial, como todo seu epitélio.
assim ela era;
e assim eu a tive...
;
sem profundidade, como sua visão de míope.
superficial, como todo seu epitélio.
assim ela era;
e assim eu a tive...
;
28 de jan. de 2010
Já que posso falar sem sexo
Cópula das coisas que emprenho
As vulvas que não tive, detesto
D’aquelas que virão me abstenho
Só sei do que sou destarte
Das músicas que faço noturno
Se creio plausível algum’arte
É crença no nobre Saturno
Mitos não tenho nem quero
Relógio no pulso é prender
O tempo como um sinestésico
O tempo pra mim é morrer
Prefiro então o anestésico
Que faz Eu dormir sem doer
...
Cópula das coisas que emprenho
As vulvas que não tive, detesto
D’aquelas que virão me abstenho
Só sei do que sou destarte
Das músicas que faço noturno
Se creio plausível algum’arte
É crença no nobre Saturno
Mitos não tenho nem quero
Relógio no pulso é prender
O tempo como um sinestésico
O tempo pra mim é morrer
Prefiro então o anestésico
Que faz Eu dormir sem doer
...
10 de jan. de 2010
Ao contrário dos rapazes de minha época
Nunca fui de me masturbar no banheiro
Além de achar o local pouco relaxante
E um tanto inconveniente para tal prática
Sempre detestei a idéia
De meu sêmem
[com milhões de espermatozóides meus]
[e em todos eles meu código genético pulsando pela vida]
Ser lançado numa descarga frenética
Para ir nadar
MoriBUNDAmente
Numa grande caixa-de-merda.
Nunca fui de me masturbar no banheiro
Além de achar o local pouco relaxante
E um tanto inconveniente para tal prática
Sempre detestei a idéia
De meu sêmem
[com milhões de espermatozóides meus]
[e em todos eles meu código genético pulsando pela vida]
Ser lançado numa descarga frenética
Para ir nadar
MoriBUNDAmente
Numa grande caixa-de-merda.
15 de dez. de 2009
As cicatrizes demoram a sair do meu corpo
Não estou dizendo isso para parecer demasiado sofrido ou soturno
O fato é que
As cicatrizes demoram a deixar o meu corpo
E há algumas que nunca se vão
Como coisas da alma
Por isso
Parei de datar minhas cicatrizes
Assim como parei de datar
Meus poemas e desamores
Parei porque umas e outros somem
E a data já não é problema
Parei porque umas cicatrizes
E outros poemas
Ficam
E a data me apoquenta
Não estou dizendo isso para parecer demasiado sofrido ou soturno
O fato é que
As cicatrizes demoram a deixar o meu corpo
E há algumas que nunca se vão
Como coisas da alma
Por isso
Parei de datar minhas cicatrizes
Assim como parei de datar
Meus poemas e desamores
Parei porque umas e outros somem
E a data já não é problema
Parei porque umas cicatrizes
E outros poemas
Ficam
E a data me apoquenta
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